Arquivo | Julho, 2009

O que é ser jornalista?

1 Jul

Sou uma estudante do 2º ano da Licenciatura em Ciências da Comunicação, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Vila Real.
No âmbito da cadeira de Imprensa, Rádio e Televisão venho por este meio solicitar a sua colaboração como profissional de comunicação, para que, na eventual disponibilidade posso me esclarecer ou tentar conceptualizar “O que é ser Jornalista?”
Agradeço, desde já, a sua compreensão, participando.
Embora não seja fácil angariar tempo…

Saudações,
Paula Cristina Teixeira

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Olá, Cristina.

É com todo o gosto que me predisponho a ajudar, até porque também estive na pele de estudante de Comunicação não há muito tempo.

Há, na minha perspectiva, duas visões do ser jornalista: a visão conceptual e a versão pessoal. Toda a gente tem uma ideia geral sobre o que é o jornalismo e de maneira geral, as pessoas têm no(a) jornalista uma pessoa que relata notícias. No entanto, ser jornalista é algo diferente para cada um de nós, profissionais do meio. Para mim, ser jornalista é ser contador de histórias (não confundir com estórias).

Cada facto, cada situação, cada acontecimento sobre o qual escrevemos, falamos ou ilustramos nunca é mostrado “em bruto”. Ou seja, nós somos uma espécie de filtro, como os das máquinas de café. As pessoas o que querem é beber a bica na chávena e não se podiam importar menos com o processo todo para aparecer ali o produto final à frente. Nós somos aquele filtro branco dentro da máquina, que separa o essencial do resto, sendo que o essencial, o líquido, o “sumo”, é o que depois segue caminho para a chávena, pronto a ser consumido.

Ao agarrarmos numa informação em bruto, ao fazê-la passar por todo um tratamento, confrmando fontes, “arrancando” informações complementares, procurando outros ângulos, retirando-lhe as impurezas, estamos a dar ao leitor/ouvinte/espectador, aquilo que ele quer: o essencial, a informação de consumo rápido… a bica na chávena, pronta a beber. Só que cada jornalista faz esse processo à sua própria maneira e estilo. A notícia não é nem nunca pode ser uma interpretação desvirtuada da realidade, mas é uma interpretação dos factos feita por aquele(a) jornalista.

Dificilmente se encontra dois jornalistas que contem uma mesma história, exactamente da mesma maneira. Os estilos podem variar consoante o estilo do próprio Órgão de Comunicação Social, mas essencialmente variam de jornalista para jornalista. Como o café, há quem goste do “lote platina”, do “lote ouro” ou do “lote prata”. É bom que haja vários lotes e sabores para alargar o espectro gustativo do consumidor, tal como é bom que haja maneiras diferentes de interpretar a realidade, para dar ao “consumidor” dos media o maior leque informativo possível.

Ser jornalista é ser um retratista do real? Não. Ser jornalista é ser intérprete do real. Cabe-nos dar a mais fiel interpretação, a mais imparcial informação e a informação pronta a ser consumida, de forma clara e apresentando todas as versões relevantes para o assunto. Se o cliente quer açúcar com o café… também temos de o fornecer.

Há tantas maneiras de interpretar o jornalismo e o(a) jornalista que é difícil saber por onde começar… espero que tenha sido um bom começo e que vá de encontro ao necessário. Não sei o tipo de dúvidas que pode ter, mas é só perguntar. Terei todo o gosto em ajudar, se estiver ao meu alcance.

Com as melhores saudações a uma futura colega,

Paulo Jardim

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